Boletim Informativo da Coordenação de Ciências Humanas do CEFET-GO

Outros Números

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   
Nº 1 - Julho de 2003
 

Neste número:

 

Editorial

Realidade nacional e Governo Petista

A Sociedade da Informação

Entrevista com Walmir Barbosa

Transformação Tecnológica e Concentração do Poder Empresarial

 

 

Editorial

As ciências sociais, têm por objetivo a investigação das relações sociais. Através de suas diversas ciências estuda-se as relações de classes, as relações de poder no âmbito das macro e das micro estruturas sociais, o processo de produção, circulação, distribuição e consumo de bens e serviços, a cultura dos diversos grupos humanos, de seus registros, entre outras questões.
A Coordenação de Ciências Humanas e suas Tecnologias, tem trabalhado no sentido de compreender e socializar, a partir de uma visão dialética e crítica, o mundo que nos cerca. Para tanto, desenvolvemos a produção de recursos didáticos, o site da Coordenação, o Projeto
Pensar, além de projetos de pesquisa.
Com este informativo buscamos, de maneira sucinta e agradável, trazer à comunidade cefeteana um pouco do trabalho que está sendo desenvolvido pela Coordenação. Esperamos que o mesmo contribua para a democratização da informação, e que se constitua em mais um espaço para a reflexão no CEFET-GO.

Realidade nacional e Governo Petista

Luciano Castro Lima

É triste ver as incoerências que afogam a chamada esquerda petista. Maria da Conceição Tavares que sempre disse que a política econômica é feita por quem tem a chave do cofre (o presidente do BC) se calou sobre a proposta petista de dar autonomia ao Banco Central (leia-se autonomia completa ao sistema financeiro). Depois de alguns gritos de revolta, alguns deputados se calam frente a realidade crítica do país. Estão entre a cruz e a espada. São governo ou oposição? Percebem que o destino capitalista do país está na mão do sistema financeiro. Qualquer arremedo de iniciativa e liberdade implicará no imediato fechamento do país aos créditos internacionais e, automaticamente, a derrocada econômica do país. Fica cada vez mais claro que esta dependência direta, e automática da economia brasileira ao sistema financeiro internacional é um ponto de estrangulamento da luta de classes. Se permanecer vinculado diretamente ao sistema, a nação marcha para o seu auto aniquilamento. Se cortar os laços com ele terá que enfrentar imediatamente o cerco e o bloqueio global, como tem acontecido com Cuba, Coréia do Norte, Argentina e, mais recentemente, Venezuela. Os petistas dizem que querem mudança sem incômodo. “Querem fazer omelete sem quebrar os ovos”. Jamais farão omelete, simplesmente porque não têm os ovos em suas mãos. O que fica claro é que só uma decisão coletiva, de classe, pode sustentar uma ruptura com o sistema que nos sufoca e nos extermina. Para preparar os trabalhadores para esta decisão, é preciso dizer a verdade: onde está o nó górdio e como cortá-lo. Infelizmente os 190 dias de governo petista tem sido de mentiras. Esta tem sido a sua maior responsabilidade. Não é tanto a de tomar as medidas de rendição impostas pelo capital. É a de apresentá-las como mudanças para um mundo melhor!

 

A Sociedade da Informação

Douglas A R. Prado
dougturism@yahoo.com.br

Com o avanço da tecnologia, surgiram novos meios de comunicação, sobretudo no século XX. Passamos de uma sociedade de produção para de informação. Sem dúvida, a televisão foi o principal meio de comunicação desse século, mas outros meios também se destacaram como é o caso do rádio e, mais recentemente da comunicação mediada por computadores.
Muitos estudiosos analisam esse novo cenário, alguns com uma visão apocalíptica (acreditando que os meios de comunicação de massa têm enorme poder de influência na vida das pessoas) e outros com uma visão mais otimista (acreditam que as pessoas não são meros receptáculos de informação, mas que interpretam a informação de maneira diferente umas das outras).
É claro que esses meios influenciam a vida das pessoas, mas que tipo de influência é esta, e até que ponto pode nos atingir?
Cada ser humano tem uma visão diferente da realidade, e essa visão é nada mais que um conjunto de representações simbólicas, fruto das informações adquiridas ao longo da vida, através do contato do indivíduo com o mundo exterior.
Os meios de comunicação de massa (MCM) atuam no campo das representações simbólicas das pessoas, fazendo parte da formação cultural das mesmas, interferindo no seu comportamento. É verdade que cada pessoa reage de maneira diferente às informações fornecidas pelos MCM, mas é inegável a influência desses meios na formação da mesma.
Na Sociedade da Informação, em que a comunicação eletrônica se faz presente de forma marcante na vida do ser humano, é importante ressaltar também a questão da globalização da informação. Esse processo foi capaz de alterar a relação espaço/tempo, permitindo que qualquer indivíduo que tenha acesso às diferentes tecnologias possa acessar informações e conhecer lugares do mundo inteiro, sem sair de casa.
Os meios de comunicação são importantes instrumentos de construção identitária e social, daí a necessidade de estudá-los e de avaliar os seus impactos.

Entrevista

“é necessário um diagnóstico e uma discussão ampla sobre a nossa atual realidade”
Coordenador da área de Ciências Humanas faz um retrato da realidade de sua Coordenação e do CEFET-GO.

Humanidades em Foco: A quanto tempo você está coordenando a área de Ciências Humanas do CEFET-GO e em relação ao quadro encontrado no início de sua gestão, o que mudou até agora?
Walmir Barbosa: Estou à frente da Coordenação desde abril de 2002. A Coordenação convivia com um esvaziamento na sua intervenção política e pedagógica na Instiuição. A partir de então buscamos retomar os debates quanto aos rumos da Instituição e implementar iniciativas que pudesse proporcionar a curto/médio prazo um salto de qualidade no trabalho desenvolvido. Demos início à produção de cadernos didáticos disponibilizados eletronicamente, a exemplo dos cadernos de metodologia e sociologia; construímos a página eletrônica da Coordenação; reestruturamos os programas das disciplinas; estamos lançando o boletim Humanidades em Foco, entre tantas outras iniciativas.

Humanidades em Foco: Qual a importância da pesquisa científica e como ela está sendo desenvolvida no CEFET-GO?
Walmir Barbosa: Ocorrem pesquisas no CEFET-GO. São pesquisas de iniciação científica, pesquisas básicas para fins acadêmicos, entre outras. Elas são fundamentais para a Instituição, visto que a consolidação de uma instituição de ensino superior passa, necessariamente, pela articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Todavia, são grandes os obstáculos para que a pesquisa seja impulsionada no CEFET-GO. Ela não é prioridade da atual direção geral, não possuímos convênios e relações consistentes com as entidades que fomentam pesquisas, nos encontramos presos a uma instituição que se restringe à formação técnica e tecnológica, ocorre um processo corrosivo nas relações de trabalho, entre outros processos. A reversão dessa realidade é certamente um grande desafio tendo em vista a implementação da pesquisa com nova qualidade no CEFET-GO.

Humanidades em Foco: Faça de forma sucinta um retrato do CEFET-GO abordando principalmente a área pedagógica.
Walmir Barbosa: O CEFET-GO não possui um projeto pedagógico para os ensinos médio, técnico e tecnológico; os cursos tecnológicos recém criados demandam uma reestruturação curricular; fazem-se presentes práticas autoritárias; ocorre um respaldo a concepções administrativistas/empreendedoristas/tecnicistas.

Humanidades em Foco:
Quais medidas devem ser adotadas para que o CEFET-GO se consolide como uma instituição gratuita que oferece um ensino de qualidade?
Walmir Barbosa: Penso que é necessário um diagnóstico e uma discussão ampla sobre a nossa atual realidade, bem como uma leitura comparada em relação a outros CEFETs. O espaço para tanto deveria ser um congresso curricular, no qual as concepções, práticas e projetos fossem colocados e debatidos de forma democrática. Assim, poderá ser possível a construção de um projeto pedagógico, de relações democráticas e éticas e de um pacto de compromissos na defesa da instituição.

Transformação Tecnológica e Concentração do Poder Empresarial

No século 20 tornaram-se realidade as tecnologias mais extraordinárias. Desde o telefone e o automóvel, passando pela bomba atômica e pela energia nuclear, a informática e a biotecnologia inauguraram um mundo mediado por artefatos tecnológicos que conformam nossas relações e definem nossas escolhas e estilos de vida.
Cada nova tecnologia foi divulgada com a promessa de contribuir significativamente para o bem-estar das pessoas e da sociedade. Os últimos cinqüenta anos demonstraram, repetidas vezes, que tais promessas poucas vezes se cumpriram, já que a introdução daquelas tecnologias embute altos custos sociais, culturais, econômicos ou ambientais e que as formas de produzir, agir e pensar, associadas a elas, induzem mudanças profundas, inesperadas e, freqüentemente, indesejadas.
As nanotecnologias, que hoje buscam fundir a informática, a biologia celular e as técnicas em nível atômico, voltam a nos prometer “um mundo feliz” e, segundo seus defensores mais entusiastas, “acabarão com a crise ambiental e a fome no mundo”. Por outro lado, aceleram-se os processos de privatização do conhecimento e da pesquisa, bem como da mega concentração do poder econômico, técnico e militar. Observa-se, ainda, o aumento das capacidades de repressão e de controle sobre os cidadãos por meio dos desenvolvimentos recentes das neurociências, do estudo dos genomas e dos novos sistemas de informação geográfica e de controle remoto.
A superação dessa realidade imposta pelo grande capital faz-se necessária. Ela deve iniciar pela crítica da própria ideologia que nos é impingida, segundo o qual todo novo desenvolvimento tecnológico é inelutável (sem escapatória), e de que temos que consumir as tecnologias impostas pelo mercado, renunciando a qualquer perspectiva de controlá-las.

 

Expediente


Coordenação de Ciências Humanas
e suas Tecnologias/ CEFET-GO
cch@cefetgo.br
www.cefetgo.br/cienciashumanas

Coordenador - Walmir Barbosa
Ponto de Vista n°1 - julho de 2003
Criação, Diagramação, Edição - Douglas A. R. Prado/ Mayra de Abreu