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Neste número:
Editorial
Realidade
nacional e Governo Petista
A Sociedade da Informação
Entrevista
com Walmir Barbosa
Transformação
Tecnológica e Concentração do Poder Empresarial
Editorial
As
ciências sociais, têm por objetivo a investigação
das relações sociais. Através de suas diversas ciências
estuda-se as relações de classes, as relações
de poder no âmbito das macro e das micro estruturas sociais, o processo
de produção, circulação, distribuição
e consumo de bens e serviços, a cultura dos diversos grupos humanos,
de seus registros, entre outras questões.
A Coordenação de Ciências Humanas e suas Tecnologias,
tem trabalhado no sentido de compreender e socializar, a partir de uma
visão dialética e crítica, o mundo que nos cerca.
Para tanto, desenvolvemos a produção de recursos didáticos,
o site da Coordenação, o Projeto
Pensar, além de projetos de pesquisa.
Com este informativo buscamos, de maneira sucinta e agradável,
trazer à comunidade cefeteana um pouco do trabalho que está
sendo desenvolvido pela Coordenação. Esperamos que o mesmo
contribua para a democratização da informação,
e que se constitua em mais um espaço para a reflexão no
CEFET-GO.
Realidade
nacional e Governo Petista
Luciano
Castro Lima
É
triste ver as incoerências que afogam a chamada esquerda petista.
Maria da Conceição Tavares que sempre disse que a política
econômica é feita por quem tem a chave do cofre (o presidente
do BC) se calou sobre a proposta petista de dar autonomia ao Banco Central
(leia-se autonomia completa ao sistema financeiro). Depois de alguns gritos
de revolta, alguns deputados se calam frente a realidade crítica
do país. Estão entre a cruz e a espada. São governo
ou oposição? Percebem que o destino capitalista do país
está na mão do sistema financeiro. Qualquer arremedo de
iniciativa e liberdade implicará no imediato fechamento do país
aos créditos internacionais e, automaticamente, a derrocada econômica
do país. Fica cada vez mais claro que esta dependência direta,
e automática da economia brasileira ao sistema financeiro internacional
é um ponto de estrangulamento da luta de classes. Se permanecer
vinculado diretamente ao sistema, a nação marcha para o
seu auto aniquilamento. Se cortar os laços com ele terá
que enfrentar imediatamente o cerco e o bloqueio global, como tem acontecido
com Cuba, Coréia do Norte, Argentina e, mais recentemente, Venezuela.
Os petistas dizem que querem mudança sem incômodo. “Querem
fazer omelete sem quebrar os ovos”. Jamais farão omelete,
simplesmente porque não têm os ovos em suas mãos.
O que fica claro é que só uma decisão coletiva, de
classe, pode sustentar uma ruptura com o sistema que nos sufoca e nos
extermina. Para preparar os trabalhadores para esta decisão, é
preciso dizer a verdade: onde está o nó górdio e
como cortá-lo. Infelizmente os 190 dias de governo petista tem
sido de mentiras. Esta tem sido a sua maior responsabilidade. Não
é tanto a de tomar as medidas de rendição impostas
pelo capital. É a de apresentá-las como mudanças
para um mundo melhor!
A
Sociedade da Informação
Douglas
A R. Prado
dougturism@yahoo.com.br
Com o avanço da tecnologia, surgiram novos meios de comunicação,
sobretudo no século XX. Passamos de uma sociedade de produção
para de informação. Sem dúvida, a televisão
foi o principal meio de comunicação desse século,
mas outros meios também se destacaram como é o caso do rádio
e, mais recentemente da comunicação mediada por computadores.
Muitos estudiosos analisam esse novo cenário, alguns com uma visão
apocalíptica (acreditando que os meios de comunicação
de massa têm enorme poder de influência na vida das pessoas)
e outros com uma visão mais otimista (acreditam que as pessoas
não são meros receptáculos de informação,
mas que interpretam a informação de maneira diferente umas
das outras).
É claro que esses meios influenciam a vida das pessoas, mas que
tipo de influência é esta, e até que ponto pode nos
atingir?
Cada ser humano tem uma visão diferente da realidade, e essa visão
é nada mais que um conjunto de representações simbólicas,
fruto das informações adquiridas ao longo da vida, através
do contato do indivíduo com o mundo exterior.
Os meios de comunicação de massa (MCM) atuam no campo das
representações simbólicas das pessoas, fazendo parte
da formação cultural das mesmas, interferindo no seu comportamento.
É verdade que cada pessoa reage de maneira diferente às
informações fornecidas pelos MCM, mas é inegável
a influência desses meios na formação da mesma.
Na Sociedade da Informação, em que a comunicação
eletrônica se faz presente de forma marcante na vida do ser humano,
é importante ressaltar também a questão da globalização
da informação. Esse processo foi capaz de alterar a relação
espaço/tempo, permitindo que qualquer indivíduo que tenha
acesso às diferentes tecnologias possa acessar informações
e conhecer lugares do mundo inteiro, sem sair de casa.
Os meios de comunicação são importantes instrumentos
de construção identitária e social, daí a
necessidade de estudá-los e de avaliar os seus impactos.
Entrevista
“é
necessário um diagnóstico e uma discussão ampla sobre
a nossa atual realidade”
Coordenador da área de Ciências Humanas faz um retrato da
realidade de sua Coordenação e do CEFET-GO.
Humanidades
em Foco: A quanto tempo você está coordenando a
área de Ciências Humanas do CEFET-GO e em relação
ao quadro encontrado no início de sua gestão, o que mudou
até agora?
Walmir Barbosa: Estou à frente da Coordenação
desde abril de 2002. A Coordenação convivia com um esvaziamento
na sua intervenção política e pedagógica na
Instiuição. A partir de então buscamos retomar os
debates quanto aos rumos da Instituição e implementar iniciativas
que pudesse proporcionar a curto/médio prazo um salto de qualidade
no trabalho desenvolvido. Demos início à produção
de cadernos didáticos disponibilizados eletronicamente, a exemplo
dos cadernos de metodologia e sociologia; construímos a página
eletrônica da Coordenação; reestruturamos os programas
das disciplinas; estamos lançando o boletim Humanidades em Foco,
entre tantas outras iniciativas.
Humanidades
em Foco: Qual a importância da pesquisa científica
e como ela está sendo desenvolvida no CEFET-GO?
Walmir Barbosa: Ocorrem pesquisas no CEFET-GO. São
pesquisas de iniciação científica, pesquisas básicas
para fins acadêmicos, entre outras. Elas são fundamentais
para a Instituição, visto que a consolidação
de uma instituição de ensino superior passa, necessariamente,
pela articulação entre ensino, pesquisa e extensão.
Todavia, são grandes os obstáculos para que a pesquisa seja
impulsionada no CEFET-GO. Ela não é prioridade da atual
direção geral, não possuímos convênios
e relações consistentes com as entidades que fomentam pesquisas,
nos encontramos presos a uma instituição que se restringe
à formação técnica e tecnológica, ocorre
um processo corrosivo nas relações de trabalho, entre outros
processos. A reversão dessa realidade é certamente um grande
desafio tendo em vista a implementação da pesquisa com nova
qualidade no CEFET-GO.
Humanidades
em Foco: Faça de forma sucinta um retrato do CEFET-GO
abordando principalmente a área pedagógica.
Walmir Barbosa: O CEFET-GO não possui um projeto
pedagógico para os ensinos médio, técnico e tecnológico;
os cursos tecnológicos recém criados demandam uma reestruturação
curricular; fazem-se presentes práticas autoritárias; ocorre
um respaldo a concepções administrativistas/empreendedoristas/tecnicistas.
Humanidades
em Foco:
Quais medidas devem ser adotadas para que o CEFET-GO se consolide como
uma instituição gratuita que oferece um ensino de qualidade?
Walmir Barbosa: Penso que é necessário
um diagnóstico e uma discussão ampla sobre a nossa atual
realidade, bem como uma leitura comparada em relação a outros
CEFETs. O espaço para tanto deveria ser um congresso curricular,
no qual as concepções, práticas e projetos fossem
colocados e debatidos de forma democrática. Assim, poderá
ser possível a construção de um projeto pedagógico,
de relações democráticas e éticas e de um
pacto de compromissos na defesa da instituição.
Transformação
Tecnológica e Concentração do Poder Empresarial
No século 20 tornaram-se realidade as tecnologias mais extraordinárias.
Desde o telefone e o automóvel, passando pela bomba atômica
e pela energia nuclear, a informática e a biotecnologia inauguraram
um mundo mediado por artefatos tecnológicos que conformam nossas
relações e definem nossas escolhas e estilos de vida.
Cada nova tecnologia foi divulgada com a promessa de contribuir significativamente
para o bem-estar das pessoas e da sociedade. Os últimos cinqüenta
anos demonstraram, repetidas vezes, que tais promessas poucas vezes se
cumpriram, já que a introdução daquelas tecnologias
embute altos custos sociais, culturais, econômicos ou ambientais
e que as formas de produzir, agir e pensar, associadas a elas, induzem
mudanças profundas, inesperadas e, freqüentemente, indesejadas.
As nanotecnologias, que hoje buscam fundir a informática, a biologia
celular e as técnicas em nível atômico, voltam a nos
prometer “um mundo feliz” e, segundo seus defensores mais
entusiastas, “acabarão com a crise ambiental e a fome no
mundo”. Por outro lado, aceleram-se os processos de privatização
do conhecimento e da pesquisa, bem como da mega concentração
do poder econômico, técnico e militar. Observa-se, ainda,
o aumento das capacidades de repressão e de controle sobre os cidadãos
por meio dos desenvolvimentos recentes das neurociências, do estudo
dos genomas e dos novos sistemas de informação geográfica
e de controle remoto.
A superação dessa realidade imposta pelo grande capital
faz-se necessária. Ela deve iniciar pela crítica da própria
ideologia que nos é impingida, segundo o qual todo novo desenvolvimento
tecnológico é inelutável (sem escapatória),
e de que temos que consumir as tecnologias impostas pelo mercado, renunciando
a qualquer perspectiva de controlá-las.
Expediente
Coordenação de Ciências Humanas
e suas Tecnologias/ CEFET-GO
cch@cefetgo.br
www.cefetgo.br/cienciashumanas
Coordenador - Walmir Barbosa
Ponto de Vista n°1 - julho de 2003
Criação, Diagramação, Edição
- Douglas A. R. Prado/ Mayra de Abreu
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