Boletim Informativo da Coordenação de Ciências Humanas do CEFET-GO

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Nº 2 - Agosto de 2003
 

Neste número:

 

Editorial

Mídia e Violência

Projeto Pensar - 10 anos pensando a vida

Curiosidades da Guerra

Entrevista com Fábio da Silva Marques

 

 

Editorial

Estamos encerrando uma fase importante do processo de reconhecimento dos cursos de tecnologia oferecidos pelo CEFET-GO, qual seja, o protocolamento dos projetos dos cursos no MEC. A aprovação dos mesmos, com ou sem correções/reestruturações, representará um passo significativo tendo em vista a construção da Instituição e de um ensino superior de qualidade. Esse processo nos colocará novos desafios.
Primeiramente, a luta pela transformação dos cursos de tecnologia em bacharelado, de forma a superar o tratamento dicotômico do ensino superior e a marginalização dos graduados em face dos conselhos de regulamentação das profissões.
Em segundo lugar, a reestruturação dos cursos de tecnologia, que deve ocorrer mediante: a) a definição da base científica e tecnológica comum; b) a construção de uma política que articule ensino, pesquisa e extensão; e c) a política de produção de recursos didáticos (impressos, eletrônicos, tecnológicos, etc) de suporte à formação científica, tecnológica e cultural.
Em terceiro lugar, nada disso será possível sem que o processo de debate e deliberação ocorra de forma democrática, o que nos coloca a necessidade de superarmos a desmobilização do Conselho Pedagógico e de efetuarmos a criação de plenárias de cursos para que ocorra uma participação efetiva do corpo discente e docente.
A não observância destas realidades poderá redundar em novos problemas para o CEFET-GO na esteira daqueles criados pela antiga Direção Geral, quando da criação dos cursos tecnológicos, sem as condições adequadas em termos de projetos curriculares, dotação orçamentária, quadro de professores e laboratórios. Como disse um pensador do século XIX, determinados processos podem ocorrer, primeiramente, como trajédia, mas quando reeditados, seguramente como farsa.
Como queremos viver a reestruturação dos cursos? Esta é uma pergunta que toda a comunidade cefeteana deve fazer!!!

Mídia e Violência

Douglas Antônio R. Prado

Vivemos em um tempo em que a banalização e a espetacularização da violência destrói a nossa capacidade de indignar diante de fatos que até pouco tempo atrás eram inconcebíveis. O que fazer diante disso?
Várias são as teorias que abordam a questão da violência veiculada pelos meios de comunicação de massa. Ao analisá-las percebemos que se completam, e que umas não excluem necessariamente as outras.
A Teoria da Dessensibilização defende que a violência estaria relacionada à exposição excessiva do receptor à mensagens com conteúdos violentos, capazes de provocar nele, a longo prazo, a perda da sensibilidade emocional, banalizando assim a violência.
A Teoria da Catarse, afirma que as imagens de violência acabariam funcionando como uma “válvula de escape” para as tensões e ansiedades do telespectador. Ao assistir imagens espetaculares de violência, as pessoas se sentiriam satisfeitas (ilusoriamente) pois seriam capazes de derrotar (provisoriamente) a sua condição de impotência frente às frustrações reais.
Na teoria da Síndrome do Medo, a super exposição às imagens de violência provocaria um medo exagerado, criando uma ansiedade incontrolável, onde tudo e todos passariam a ser suspeitos. Algumas pessoas acabariam adquirindo o “complexo de vítima”, outras acabariam andando armadas (física e psicologicamente), ou inibindo as predisposições agressivas do indivíduo devido ao medo exagerado de ser punido.
Na Teoria da Aprendizagem Social, o comportamento violento seria fruto da aprendizagem social. A exposição intensa à violência, tornaria os indivíduos mais agressivos, principalmente aqueles que já teriam uma personalidade mais propensa à agressividade. Através de modelos, estimulados e formados pela mídia, seriam reforçados valores simbólicos e culturais que serviriam de referência, para o comportamento do indivíduo. É claro que essas influências dependeriam de muitas variáveis tais como conteúdo da mídia, freqüência, formação e experiências passadas, controle social, ambiente familiar, situação sócio-econômica, etc.
É necessário discutir a origem dessa violência, não vendo-a apenas como resultante das ações da mídia, mas como reflexo de uma realidade muito mais profunda e complexa. Ao estudá-la deve-se considerar questões como a negação de direitos, a concentração da propriedade e da riqueza, relacionando-os as contradições que caracterizam a estrutura social. E mais, a violência é um dos elementos que inegavelmente influencia e é constitutiva do comportamento dos indivíduos em sociedade.
O interesse em transformar as pessoas em consumidores, desprezando os valores éticos, o amor ao próximo, a cidadania e valores espirituais, fazem da mídia um forte instrumento de mercantilização da cultura e de difusão de conteúdos ideológicos. Estando a par da influência midiática, e de sua contribuição para a propagação da violência, sem todavia reduzir a violência como um resultado direto dela, cabe à sociedade fiscalizar de maneira organizada seu conteúdo, redefinindo os limites éticos que regem as interações e contradições sociais.

 

Projeto PENSAR - DEZ ANOS - Pensando a vida

Professor José Luiz Leão

Parece que foi ontem... E, pensando bem, foi mesmo. Só que um ontem já bem distante. Um ontem que começou nos idos de 1993, ano do nascimento do Projeto PENSAR: Pensando a vida. De lá para cá muito aprendemos. Viajando pelo imaginário do mundo Ocidental, vamos desvendando lentamente o nosso jeito de pensar, falar, agir... Vamos aprendendo a conviver com as perguntas da vida. Enfim, vamos buscando o significado da vida. E assim, já se passaram dez anos...
Tempo para recordar, sentir saudade, festejar, celebrar. E para comemorar nada melhor do que contemplarmos as nossas criações. É por isso que estamos retomando uma proposta que, por motivos vários, ficou arquivada. Queremos resgatar a proposta de mostrar as produções dos “companheiros de viagem” ao longo da caminhada. É o que chamamos de “olhares” sobre o nosso projeto. Frente às propostas, quais as respostas dos participantes do projeto?
Eis, pois, algumas respostas. Solicitei aos educandos que, a partir do visto e debatido, dissessem quais eram os seus sonhos e como eles os analisavam. Juntos, selecionamos alguns textos de cada turma. Ei-los, pois. Deleite-se... Sonhe... Desvende os vestígios do nosso imaginário. Viaje com o Projeto PENSAR : - DEZ ANOS – pensando a vida.... pelo imaginário do Mundo Ocidental. E... boa viagem...

Olhar 1 - Sonhos meus...
Sonhos são sombras que queremos alcançar...Se eu me basear no meu conceito de filosofia ( “reaprender a ver o mundo”) vou compreender que preciso destruir tudo o que foi mal construído e procurar construir coisas racionais perante à realidade. Buscar os sonhos significa que eles ainda não estão em nossas mãos. Filosoficamente eu preciso rever o que de errado ( ou impróprio) eu fiz para tentar recomeçar de um novo ponto na intenção de atingir o que ainda está alheio a mim, ou seja, a filosofia facilita o reencontro dessa parte perdida de mim mesma para ampliar o meu “eu”.
Ora os sonhos estão distantes demais, ora eles são nosso único sustentáculo... por momentos eles são destruídos por palavras, por acontecimentos, entre outras ações criminosas... às vezes pelo próprio destino...
Sonho é uma expectativa misteriosa... eu gostaria de chegar no fim da vida feliz pela história que eu “bordei”, pouco-a-pouco na minha tela, não gostaria de terminar o bordado lamentando atitudes, palavras, omissões....
Se eu me basear no meu conceito de filosofia ( “reaprender a ver o mundo”) vou compreender que preciso destruir tudo o que foi mal construído e procurar construir coisas racionais perante à realidade. Buscar os sonhos significa que eles ainda não estão em nossas mãos. Filosoficamente eu preciso rever o que de errado ( ou impróprio) eu fiz para tentar recomeçar de um novo ponto na intenção de atingir o que ainda está alheio a mim, ou seja, a filosofia facilita o reencontro dessa parte perdida de mim mesma para ampliar o meu “eu”.
Ora os sonhos estão distantes demais, ora eles são nosso único sustentáculo... por momentos eles são destruídos por palavras, por acontecimentos, entre outras ações criminosas... às vezes pelo próprio destino...
Sonho é uma expectativa misteriosa... eu gostaria de chegar no fim da vida feliz pela história que eu “bordei”, pouco-a-pouco na minha tela, não gostaria de terminar o bordado lamentando atitudes, palavras, omissões....
revoluções tecnológicas, consumo, guerras e outros fatores está também o ser humano. Na busca pela satisfação e felicidade as pessoas tentam orientar-se neste mundo tão complexo.
Existem diversas opções sendo que seremos que seremos produto delas. Essa seleção ocorre de acordo com os interesses ou afinidades de cada um.
O conjunto de desejos e aspirações formam os sonhos, que são a razão de nossa existência. O sonho de uma pessoa é aquilo que ela acredita e sem ele seria insistir em algo que talvez nem concordássemos.
No meio dessa busca podemos corromper entrando em loucuras para participar desse consumo. Mas corremos o risco de nos descaracterizar, forçando e desgastando nossas vidas em busca de crédito.
Ou devemos buscar nossos sonhos verdadeiros, procurando a essência de cada indivíduo e agregando valores realmente importantes no caminho dos sonhos?
Devemos procurar as origens, os caminhos, os acertos, os erros. Procurando ajustar, conhecer a nós mesmos para melhor relacionarmos com as pessoas.
Quanto aos meus sonhos, não são tão difíceis e distantes. Já consigo reconhecer a felicidade no meu dia-a-dia e na complexidade dos pequenos acontecimentos.
Meus sonhos criam vida própria e se desenvolvem de forma espontânea. Necessitando, é claro, de fé, dedicação e trabalho para que possam realmente acontecer.
Sonho com uma harmonia através da busca da igualdade de condições, do amor, da natureza, da paz, dos esportes, dos diálogos...
Hélio de Souza F. Jr. 1050850 – 2003 -1


Olhar 3 – Sonhos meus...
Tenho vários sonhos, mas acredito que existem alguns que são centrais e desses derivam os restantes.
Sonhos para mim são como objetivos que quero alcançar ao longo da minha existência e são eles que impulsionaram-me nos tristes momentos de insegurança e incerteza.
Meu grande sonho é encontrar minha vocação e fazer dela minha profisão. E daí conseguir tudo que os bons profissionais e pessoas que amam o que fazem conseguem. Isto é básico, porém difícil, pois estou terminando meu curso e não descobri minha real paixão. Ora penso que quanto mais estudo, menos sei o que quero. Minha busca será a vida toda, pois acomodar é algo que não faz parte dos meus sonhos.
Ser feliz e Ter equilíbrio é outro sonho e com certeza não é só meu. Felicidade em morar em um mundo melhor, viver melhor, com segurança, mas isso se constrói a cada dia e com todas as pessoas. Não adianta querer Ter muito dinheiro e achar que com isso viverei com tranqüilidade, tenho que pensar no conjunto, porque não vivo sozinho e o que atinge o outro também me atinge.
O equilíbrio que todos buscam em tantos lugares, está dentro de nós, e quanto é difícil assumir o papel de conquistador de nós mesmos!
Depois de alcançar esses sonhos, acredito que já terei alcançado todos os outros que dependem desses.
Passos para meu apogeu, a Filosofia me deu e me dará, pois voltei a pensar e não quis mais interromper meus questionamentos, que tanto incomodam, mas que tanto fazem crescer e ser alguém melhor.
Mariângela Santos Barbosa – 1050840/2003-1

Olhar 4 – Sonhos meus...
Quando começo a sonhar, um mundo imaginário se abre no meu inconsciente e milhares de idéias vêm à cabeça. Penso logo no princípio básico de que para ser alguém realizado você deve ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro.
Ao associar a idéia de filho, vem logo à cabeça a questão família, ou seja, casar, Ter filhos, não Ter problemas com eles, do tipo relacional mesmo, aquilo de poder educá-los da melhor maneira possível, oferecer-lhes tudo o que não tive enquanto menina, adolescente, ser melhor e mais especial mãe do mundo. Daí o resultado da ligação afetiva.
O fato do plantar uma árvore, já me expõe de forma explícita ao ambiente externo, afinal, ninguém planta uma árvore na sala de casa, para isso é necessário ao menos chegar no jardim. É a relação que nos faz confrontar com as dificuldades externas, é como a primeira vez que você saiu para ir até o Supermercado sozinha. Como foi bom sentir aquela sensação de liberdade, responsabilidade; mas como foi difícil também, ao lembrar dos medos; da indiferença das pessoas que, apesar de desconhecidas, são seres humanos como você e eu.
Para concretizar o ideal de vida bastaria, então, escrever um livro, o que vai além das experiências e questionamentos, está ligado a nossa individualidade; o livro que de caráter impessoal, assume, mesmo que seja num breve momento, algo do meu “eu”, parte da minha essência, ou melhor, para mim a mais importante delas, que é a vida, a minha vida.
Nada disso me valeria a pena, se não fosse o viver misterioso de um dia após o outro, afinal, meus sonhos são mutáveis, estão dispostos a mudança com o passar do tempo. A Ciência não muda, mas a Filosofia é o meu eu, o estilo de vida do ser humano, e quanto mais nos questionamos, mais nos encontramos em meio às incógnitas, que mesmo com o passar da vida, e a concretização de alguns de nossos sonhos, mostrar-nos-ão inexplicáveis; caso contrário, eu deixaria de ser uma pessoa comum para me transformar num mito.
Talita Dollo Rocha – 3050850-2003-1

Olhar 5 - Sonhos meus...
“Somos a matéria de que são feitos os sonhos.” A afirmação de Sheakspeare é maravilhosa. Assim como nós, os sonhos estão vivos. Eles crescem, transformam-se. Mudam. Já tive muitos sonhos. Muito mais do que tenho hoje. Quando se é criança e tudo, toda nossa mente, é povoado de fantasia e esperança. O fogo da juventude atiça mudanças e os sonhos da adolescência não se conformam em permanecer cativos dentro de nós. É preciso por em prática. Como adulto, digo que meus sonhos são frutos dessas duas épocas. A necessidade de colocar em prática, desesperadamente, mas com doces pitadas de esperanças.
Sonho com segurança. Quero ter bases sólidas em minha vida. Um bom salário, um emprego gratificante, poder viajar, conhecer pessoas. Tudo isso pode parecer tolice para alguns, que venham a conhecer meus sonhos. Mas o que fazer? Quando se tira a parte mitológica de nossos sonhos, eles perdem um pouco de seu brilho e magia. As coisas práticas e racionais podem ser pouco atrativas, mas quando se vive uma realidade onde a sobrevivência dos mais aptos impera, você passa a questionar o que realmente traz benefícios, e acaba fechando os olhos para o mundo considerado cruel e para as pessoas que o habitam.
Um mundo melhor faz parte dos meus sonhos. Gostaria de viver em um mundo justo, onde a trindade “bom, belo e verdadeiro” fosse prioridade. Hoje, isso parece impossível. Um verdadeiro devaneio. É triste, mas sou parte da multidão que observa a barbárie do dia-a-dia, choca-se, mas não faz nada. Seria um sonho maravilhoso extinguir o mito de as coisas são como são e que as coisas ruins não são naturais. Mas, também, sou parte de um grupo que se esforça para melhorar, a si e ao mundo em volta. Enquanto isso não acontece, vou seguindo sonhando, o que me ajuda a levar os dias.
Marcos Antônio Garcia de Oliveira – 3050850 – 2003-1.

Olhar 6 – Sonhos meus...
Difícil descrever qual é meu sonho. Na verdade, tenho vários sonhos pessoais, profissionais e até mesmo globais.
Sonhos em poder futuramente constituir uma família, Ter uma vida repleta de momentos felizes e quer dos momentos tristes eu possa tirar uma lição. Sonho ser uma ótima profissional, Ter uma carreira brilhante, e, consequentemente, ganhar muito dinheiro.
Sonho também Ter um mundo melhor, sem violência, desigualdade, fome, miséria e tantas outras acontecências que me envergonham desse mundo em que vivemos atualmente.
Tenho absoluta certeza que se eu me esforçar e tiver bastante sorte, conseguirei fazer com que alguns dos meus sonhos profissionais e pessoais, tornem-se realidade. Mas sei também que vários outros sonhos que estão aqui são um tanto quanto utópicos, e que não dependerão apenas do meu esforço e sorte para que se realizem.
Kellen de Abreu Bastos – 3050840 – 2003 -1

Olhar 7 – Sonhos meus...
Os sonhos são, em geral, acontecimentos bons ou bens materiais que desejamos a nós mesmos ou a outras pessoas. São buscas por satisfações no plano financeiro, profissional ou afetivo.
Um dos meus sonhos é o de Ter uma casa própria com a decoração bem ao meu estilo. Acredito que este sonho refere-se a uma estabilidade, um conforto. Ter uma casa própria significa Ter algo meu, onde posso mudar o que bem quiser, sem Ter que pedir e, além do mais, não preciso pagar para morar.
Tenho um sonho também de constituir uma família, estar ao lado da pessoa que amo e Ter filhos. Este sonho mostra o medo que tenho da solidão, pois não quero viver sozinha.
Outro sonho que tenho é de ver o Brasil melhor, sem violência, sem fome, sem miséria. Este é um sonho um pouco egoísta, pois melhorando o Brasil, terei mais segurança na minha casa ou para andar pelas ruas e melhores condições para criar um filho.
Sonhos são ideais que temos em busca de melhorias para nossas vidas, ou seja, do que acreditamos que será melhor para nós. Aspiramos muito que esses sonhos se tornem realidade, mas nunca paramos de sonhar, pois sem alcançamos uma sonho, já temos outro em mente.
Glaucielle M. Santos – 3050840 – 2003 -1

Olhar 8 - Sonhos meus...

Como me dar ao luxo de sonhar em meio às adversidades da vida; injustiça, intolerância, maldade? Os sonhos converteram-se em estratégia de sobrevivência, passando por várias etapas de deturpação, conforme o sistema social aliena, desde a sua concepção.
Quando se é criança os sonhos são palpáveis, ilustrados pela magia da imaginação sem limites, sendo eles a própria realidade infantil. Depois vem a adolescência e tudo se transforma em ideais dotados de romantismo, subversão, questionamentos, indignação. Ocorre o afloramento de talentos que nem sempre ganham o devido direcionamento, podendo transformar esses jovens em adultos céticos e pessimistas, depois de experiências desastrosas.
Assim, muitas vezes, os sonhos deixam de lado a música e a poesia ganhando a conotação de objetivos, metas, mercado de trabalho, adequação ao meio, abrindo espaço à lei da selva, da sobrevivência, nos fazendo esquecer a nossa verdadeira essência, o que realmente poderia nos dar algum tipo de compensação sincera e fiel a nós mesmos.
Fernanda Rodrigues Vieira - 1050840 - 2003/1

É isso aí...Até...

 

Curiosidades da Guerra

Eduardo Galeano
Escritor uruguaio, autor do clássico
“Veias Abertas da América Latina".

Em meados do ano passado, enquanto esta guerra estava sendo incubada, George W. Bush declarou que “devemos estar prontos para atacar em qualquer obscuro rincão do mundo”. O Iraque é, portanto, um obscuro rincão do mundo. Acreditará Bush que a civilização nasceu no Texas e que seus compatriotas inventaram a escritura? Nunca ouviu falar da biblioteca de Nínive, nem da Torre de Babel, nem dos Jardins Suspensos da Babilônia? Não ouviu nem um só dos cotos das Mil e Uma Noites de Bagdá?
Quem o elegeu presidente do planeta? A mim, ninguém chamou para votar nessas eleições. E a vocês? Elegeríamos um presidente surdo? Um homem incapaz de ouvir nada além dos ecos de sua voz? Surdo diante do troar incessante de milhões e milhões de voz\es que nas ruas do mundo declaram a paz ao invés da guerra? Nem mesmo foi capaz de ouvir o carinhoso conselho de Günter Grass. O escritor alemão, compreendendo que Bush tinha necessidade de demonstrar algo muito importante ao seu pai, recomendou que consultasse um psicanalista em lugar de bombardear o Iraque.
Em 1898, o presidente William Mckinley declarou que Deus havia dado a ordem de ficar com as Filipinas, para civilizar e trazer para o cristianismo seus habitantes. McKinley disse que falou com Deus enquanto caminhava, à meia-noite, pelos corredores da Casa Baranca. Mais de século depois, o presidente Bush garante que Deus está do seu lado na conquista do Iraque. A que horas e em que lugar recebeu a palavra divina? E por que Deus teria dado ordens tão contraditórias a Bush e ao papa em Roma?
Declara-se a guerra em nome da comunidade internacional, que está farta de guerras. E, como de costume, declara-se a guerra em nome da paz. Não é pelo petróleo, dizem. Mas, se o Iraque produzisse rabanetes em lugar de petróleo, a quem ocorreria invadir esse país? Bush, Cheney e a doce Condoleezza realmente renunciaram aos seus altos empregos na indústria petrolífera? Por que essa mania de Tony Blair contra o ditador iraquiano? Não será porque há 30 anos Saddam nacionalizou a britânica Irak Petroleum Company? Quantos poços Aznar espera receber na próxima partilha?
A sociedade de consumo, embriagada de petróleo, tem medo da síndrome de abstinência. No Iraque, o elixir negro é menos caro e, talvez, em maior quantidade.
Em uma manifestação pacifista, em Nova York, um cartaz perguntava: “Por que o nosso petróleo está debaixo das areias deles?”.
Os Estados Unidos anunciaram uma longa ocupação militar, depois da vitória. Seus generais cuidarão de estabelecer a democracia no Iraque. Será uma democracia igual à que acertaram para o Haiti, a República Dominicana ou a Nicarágua? Ocuparam o Haiti durante 19 anos e fundaram um poder militar que desembocou na ditadura de Duvalier. Ocuparam a República Dominicana por nove anos e fundaram a ditadura de Trujillo. Ocuparam a Nicarágua durante 21 anos e fundaram a ditadura da família Somoza.
A dinastia dos Somoza, que os fuzileiros navais colocaram no trono, durou meio século, até que, em 1979, foi varrida pela fúria popular. Então o presidente Reagan montou a cavalo e se lançou a salvar seu país ameaçado pela revolução sadinista. A Nicarágua, pobre entre os pobres, tinha, no total, cinco elevadores e uma escada rolante, que não funcionava. Mas Reagan denunciava que a Nicarágua era um perigo; e, enquanto falava, a TV mostrava um mapa dos EUA pintado de vermelho desde o sul, para ilustrar a iminente invasão. O presidente Bush copia seus discursos que semeiam o pânico, Bush diz Iraque onde Reagan dizia Nicarágua?
Títulos dos jornais, nos dias prévios à guerra: “Os EUA estão prontos para resistir ao ataque”. Recorde de vendas de fitas isolantes, máscaras antigas, pílulas anti-radiação... Por que o verdugo tem mais medo do que a vítima? Apenas por este clima de histeria coletiva? Ou treme porque pressente as conseqüências de seus atos? E se o petróleo iraquiano incendiar o mundo? Não será esta guerra a melhor vitamina que o terrorismo internacional está precisando?
Dizem-nos que Saddam alimenta os fanáticos da Al Qaeda. Um criador de corvos para que lhe arranquem os olhos? Os fundamentalistas islâmicos o odeiam. É satânico um país onde se assiste a filmes de Hollywood, colégios ensinam inglês, a maioria muçulmana não impede que os cristãos andem com a cruz n0o peito e não é muito raro ver mulheres muçulmanas vestindo calça comprida e blusas audaciosas.
Não houve nenhum iraquiano entre os terroristas que atacaram as torres de Nova York. Quase todos eram Ada Arábia Saudita, o melhor cliente dos EUA no mundo. Também Bin Laden é saudita, esse vilão que os satélites perseguem enquanto foge a cavalo pelo deserto e que diz presente cada vez que Bush precisa de sues serviços como ogro profissional.
Sabia que o presidente Eisenhower disse, em 1953, que a “guerra preventiva” era uma invenção de Hitler? Ele disse? “Francamente, não levaria a sério alguém que viesse me propor semelhante coisa”. Os EUA soa o país que mais armas fabrica e vende no mundo . tAmbém são o único país que lançou bombas atômicas contra população civil. E sempre está, por tradição, em guerra contra alguém. Quem ameaça a paz universal? O Iraque?
O Iraque não respeita as resoluções das Nações Unidas? Elas são respeitados por Bush, que acaba de desferir a mais espetacular patada na legalidade internacional? São respeitadas por Israel, pais especializado em ignora-las? O Iraque desconheceu 17 resoluções das Nações Unidas. Israel, 64. Bombardearam Bush e seu mais fiel aliado?
O Iraque foi arrasado, em 1991, pela guerra de Bush pai e deixado esfomeado pelo posterior bloqueio. Quais armas de destruição em massa pode esconder esse país maciçamente destruído? Israel, que desde 1967 usurpa terras palestinas, conta com um arsenal de bombas atômicas que garante a impunidade.
E o Paquistão, exibe suas próprias ogivas nucleares. Mas o inimigo é o Iraque, porque “poderia ter” essas armas. Se as tivesse, como a Coréia do Norte proclama possuir, se animariam em ataca-la?
E as armas químicas ou biológicas? Quem vendeu a Saddam Hussein a matéria-prima para fabricar os gases venenosos que asfixiaram os curdos e os helicópteros para lançar esses gases? Por que Bush não mostra os recibos? Naqueles anos, guerra contra o Irã, guerra contra os curdos, era Saddam menos ditador do que é agora? Até Donald Rumsfeld o visitava em missão de amizade Porque os curdos são comoventes agora, e antes não? E por que só são comoventes os curdos do Iraque, e não os curdos muito mais numerosos que a Turquia sacrificou?
Rumsfeld, atual secretário da Defesa, anuncia que seu país usara´”gases não-letais” contra o Iraque. Serão gases tão pouco letais como esses que Putin usou, no ano passado, no teatro de Moscou e que mataram mais de cem reféns?
Durante muitos dias as Nações Unidas cobriram com um cortina o quadro “Guernica” , de Picasso, para que essa desagradável obra não perturbasse os toques de clarim de Colin Powell. De que tamanho será a cortina que esconderá a carnificina no Iraque, segundo a censura total que o Pentágono impôs aos correspondentes de guerra?
Para onde irão as almas das vítimas iraquianas? Segundo o reverendo Billy Graham, assessor religioso do presidente Bush e agrimensor celestial, o Paraíso é bem pequeno: mede nada mais que 1.500 milhas quadradas. Poucos serão os eleitos.Adivinhação: qual será o país que comprou quase todas as entradas?
E uma pergunta final, que peço emprestada a John Le Carré:
“Vão matar muita gente, papai?”
‘Ninguém que você conheça, querido, apenas estrangeiros.”

 

Entrevista

Coordenador geral do SINTEF-GO, Fábio da Silva Marques, fala sobre a luta sindical e o atual governo.

Humanidades em Foco: Como se encontra atualmente a organização e a luta sindical dos servidores públicos federais?
Fábio: A luta sindical continua forte apesar de tudo, da traição deste governo petista que nós colocamos no poder com a esperança de melhorar a nossa situação de penúria, e do descaso com os trabalhadores da educação.
Nos deparamos com um quadro novo, onde companheiros do INSS e Auditores e Fiscais da Receita Federal, entre outros setores do serviço público federal, puxaram a greve contra a PEC 40 (Proposta de Emenda Constitucional nº 40) que traz a reforma da Previdência e que demonstra claramente a intenção do governo em atender às imposições do FMI.
A organização dos servidores públicos federais conta com um crescimento paulatino, como demonstra a recente greve dos servidores públicos, com a adesão no dia 13/08/2003 do SINTEF-GO à mesma, por meio da aprovação por parte da grande maioria presente na assembléia geral dos servidores do CEFET-GO. A greve, que apresentou um percentual de mais de 80% servidores do nosso sindicato nacional (SINASEFE) paralizados, demonstra o quanto a organização dos servidores pode crescer.
Humanidades em Foco: O que defende o SINASEFE e o SINTEF-GO para a educação média, técnica e tecnológica?
Fábio: O SINTEF-GO defende para a educação média, técnica e tecnologia principalmente a autonomia institucional, mais repasse de verbas, contratação de servidores efetivos, tanto de professores quanto de técnico-administrativos e uma proposta de reajuste salarial justa e digna aos trabalhadores federais que já herdaram do governo FHC a amarga herança da defasagem salarial. Defendemos uma reforma previdenciária justa e que não beneficie apenas aos juízes e altos cargos do governo nos poderes legislativo e judiciário.
Humanidades em Foco: Qual a sua opinião em relação à reforma da Previdência?
Fábio: Nossa posição, pela não aprovação da PEC-40, referenda-se em uma outra concepção de seguridade social, em que a previdência deve-se organizar por critérios de repartição solidária. Nenhuma das propostas até aqui apresentadas contempla nossa concepção de previdência, razão pela qual, reiteramos, de forma sintética, os princípios que a norteiam:
1-Integralidade e paridade para todos os servidores (atuais e futuros). O atual relatório não contempla nem a paridade nem a integralidade, sequer para os atuais servidores;
2-Integralidade das pensões e dos
proventos de aposentadoria – Somos contra a taxação dos aposentados, já que eles contribuíram durante o seu tempo de trabalho para a aposentadoria e pensões.
3- Pela revogação da EC-20 e do fator previdenciário, que criaram os limites de idade para a aposentadoria dos trabalhadores do setor público e privado e transformaram a contagem de tempo de serviço em tempo de contribuição, o que prejudicou os mais pobres e os chamados “excluídos” que não conseguem registro em carteira e trabalham desde cedo;
- Somos contra o aumento da idade mínima previsto na PEC-40 e defendemos a manutenção das regras vigentes até a revogação da EC-20, pois critérios de idade mínima prejudicam os mais pobres, que começam a trabalhar desde os 14-17 anos;
- Somos pela manutenção da aposentadoria especial para professores e portadores de doenças previstas na legislação e pela criação de regras para outras categorias com trabalho em áreas/funções insalubres ou perigosas;
- Somos pela manutenção da aposentadoria proporcional dos servidores e contra as regras de desconto de 5% de salário para cada ano não trabalhado;
4-Teto salarial e previdenciário – Defendemos que seja aplicado o teto constitucional atual para os salários dos servidores e para os proventos de aposentadoria de servidores e do RGPS.
Humanidades em Foco: Você não acha que a recente greve trouxe mais prejuízos do que vantagens (conquistas) em relação à qualidade do ensino?
Fábio: Prejuízos trouxeram, mas o culpado foi o governo que iniciou a reforma da Previdência sem ouvir e negociar com os sindicatos e com as representações legais dos servidores. A greve foi positiva tendo em vista as conquistas obtidas pelo movimento, a exemplo do aumento do teto para isenção de R$ 1.440,00 para a contribuição previdenciária dos servidores aposentados da União e de R$ 1.200,00 para os aposentados dos estados, municípios e Distrito Federal.

 

Expediente


Coordenação de Ciências Humanas
e suas Tecnologias/ CEFET-GO
cch@cefetgo.br
www.cefetgo.br/cienciashumanas

Coordenador - Walmir Barbosa
Ponto de Vista n°2 - agosto de 2003
Criação, Diagramação, Edição - Douglas A. R. Prado......... Contribuição:
Mayra de Abreu